Site por assinatura ou projeto pago: a conta que ninguém mostra

Por Darlei Cordeiro 7 min de leitura
Ilustração de um calendário com moedas recorrentes ao lado de um saco de dinheiro único

A diferença entre site por assinatura e site por projeto não está no preço: está em quem fica dono. Na assinatura, você paga pouco por mês, não paga entrada, e o site pertence ao fornecedor; parou de pagar, ele some. No projeto, você paga a criação uma vez (mais os custos de manter no ar, que são pequenos) e o site é um ativo seu: arquivos, conteúdo, domínio e histórico no Google. Um é aluguel, o outro é obra. Os dois são legítimos; o problema é assinar um achando que comprou o outro.

E é exatamente assim que o modelo de assinatura é vendido: "site profissional sem investimento inicial". A frase é verdadeira e a omissão também: não existe o custo inicial porque não existe a compra. Vou mostrar a conta que o vendedor da mensalidade não mostra, dizer em que cenários a assinatura de fato vale, e te dar a pergunta única que desmonta qualquer proposta ambígua.

A conta de 3 anos (e a de 5)

Assinatura R$ 250/mêsProjeto + manutenção
Ano 1R$ 3.000R$ 8.000 (obra) + ~R$ 500 (domínio, hospedagem)
Ano 3 (acumulado)R$ 9.000~R$ 9.500
Ano 5 (acumulado)R$ 15.000~R$ 10.500
Se cancelar tudo hojeSite some; recomeço do zeroSite continua seu, no ar
Histórico no GoogleDo fornecedor (endereço dele, ou preso a ele)Seu, acumulando valor ano após ano

Os números variam (há assinatura de R$ 120 e projeto de R$ 20 mil), mas a estrutura da conta não: as linhas se cruzam entre o segundo e o quarto ano, e daí em diante a assinatura só piora, porque aluguel não amortiza. Pra empresa que pretende existir daqui a dez anos (o caso de toda indústria que conheço), o modelo de aluguel perpétuo de um ativo central do negócio é a conta errada. O detalhe do que compõe cada valor está em quanto custa um site e quanto custa manter.

Ilustração de uma chave de casa alugada ao lado de uma casa própria

Quando a assinatura faz sentido de verdade

Sendo justo com o modelo, porque ele tem lugar: negócio começando com caixa zero (presença imediata sem capital), empresa em validação que pode nem existir em 18 meses, ou situação-ponte (precisa de algo no ar este mês enquanto decide o definitivo). Nesses cenários, pagar R$ 200/mês por um problema resolvido é racional. O que descaracteriza a escolha é a permanência: a assinatura que ia ser ponte vira moradia, e cinco anos depois a empresa pagou três sites e não possui nenhum. Se optar pela assinatura, entre com data de saída e revise a decisão a cada ano, de preferência com a cláusula de cancelamento lida ANTES de assinar (o artigo do contrato mostra o que procurar).

A pergunta que desmonta qualquer proposta: "se eu parar de pagar, o que sobra?"

Faça essa pergunta por escrito a qualquer fornecedor, de qualquer modelo. As respostas possíveis se ordenam sozinhas: "sobra tudo: site, arquivos, domínio no seu CNPJ" (projeto de verdade); "sobra o conteúdo exportado, o site sai do ar" (assinatura honesta); "não sobra nada" (aluguel puro, precifique como aluguel); e a resposta vaga ou ofendida, que é a pior de todas, porque anuncia o cativeiro. Variação da mesma armadilha: domínio registrado no nome do fornecedor, que transforma até o seu endereço em refém (as histórias estão em fornecedor que abandona e mudar de agência).

A mesma lógica vale pros construtores de site alugados, aliás: Wix e afins são assinatura de plataforma (cancelou, o site deixa de existir), com a diferença de que ali quem monta é você. E o "site grátis" é a mesma conversa com outra máscara, como mostro no artigo sobre site grátis pra empresa.

Ilustração de uma pilha crescente de boletos mensais

O arranjo que considero justo (e pratico)

Declaro o interesse: trabalho com projeto, então desconte o viés, mas a lógica se defende sozinha. Obra paga uma vez, site do cliente desde o primeiro dia, domínio no CNPJ dele, acessos entregues; e mensalidade só pelo que é serviço contínuo de verdade (hospedagem, backup, segurança, ajustes), opcional e cancelável sem o site cair. Assim o incentivo fica do lado certo: o fornecedor precisa continuar bom pra continuar contratado, em vez de contar com o cativeiro. Site é patrimônio comercial da empresa, como o galpão e as máquinas; empresa sólida não aluga pra sempre o próprio endereço.

Antes de assinar qualquer proposta: mande por escrito a pergunta "se eu cancelar depois de 2 anos, o que exatamente sobra pra minha empresa (site, arquivos, domínio, e-mails)?" e guarde a resposta. Ela vale mais que qualquer página do contrato, e custa uma mensagem.

Na dúvida entre uma proposta de assinatura e uma de projeto que você já tem na mesa? Manda as duas pra análise gratuita: eu leio com olho de quem faz isso desde 2012, aponto o que cada uma esconde e devolvo o parecer em até 2 dias úteis, sem compromisso.

Perguntas frequentes

Como funciona o site por assinatura?

Você paga uma mensalidade (tipicamente entre R$ 100 e R$ 400) e recebe o site "sem custo de entrada", com hospedagem e pequenos ajustes inclusos. O detalhe que define o modelo: na maioria dos contratos, o site pertence ao fornecedor. Cancelou, o site sai do ar. É aluguel, não compra, e não há nada de errado em alugar, desde que você saiba que está alugando.

Site por assinatura vale a pena?

Vale em cenários específicos: caixa apertado que não banca projeto, negócio em validação que pode fechar em um ano, ou necessidade de presença imediata enquanto o projeto definitivo não vem. Vira armadilha quando a empresa é sólida e pretende existir por décadas: a mensalidade eterna soma mais que o projeto e no final não sobra patrimônio nenhum.

Quanto custa cada modelo em 3 anos?

Assinatura de R$ 250/mês: R$ 9.000 em 3 anos, e o site continua sendo do fornecedor. Projeto de R$ 8 mil + manutenção e hospedagem (na casa de R$ 1.500 no período): valor parecido, mas o site, o conteúdo e o histórico no Google são seus, e a partir daí o custo despenca enquanto a assinatura segue pra sempre. Em horizonte de 5 anos a diferença fica escancarada.

Se eu cancelar a assinatura, perco tudo mesmo?

Depende do contrato, e é a cláusula que você precisa ler antes de assinar, não na hora de sair. O padrão do modelo é o site sair do ar, o conteúdo não ser entregue em formato aproveitável e, nos casos piores, o domínio estar registrado no nome do fornecedor (aí você perde até o endereço). Se a resposta do vendedor pra "o que sobra se eu cancelar?" for vaga, essa vagueza é a resposta.

Existe meio-termo entre os dois modelos?

Existe e é o arranjo que considero mais justo: projeto pago (o site é seu desde o primeiro dia, domínio no seu CNPJ) + mensalidade opcional só pelo que é serviço contínuo de verdade: hospedagem, backup, segurança e ajustes. Você paga a obra uma vez e assina a zeladoria se quiser. É o modelo que pratico, e o que recomendo mesmo a quem não fechar comigo.

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