Como mudar de agência sem perder o site (nem o domínio, nem o e-mail)

Por Darlei Cordeiro 7 min de leitura
Ilustração de uma caixa de mudança carregando uma janela de navegador

Dá pra mudar de agência sem perder nada, sim: site, domínio, e-mails e histórico no Google são ativos da sua empresa, não da agência que os administra. O que faz a diferença entre uma mudança tranquila e um pesadelo de meses é a ordem dos passos, e ela se resume numa frase: primeiro garanta o que é seu, depois avise que vai sair. Quem inverte negocia refém.

Escrevo dos dois lados do balcão: recebo com frequência empresas fugindo de fornecedor, e sou o fornecedor de onde ninguém precisa fugir (acessos e domínio ficam no nome do cliente desde o primeiro dia, por princípio). O padrão das histórias que chegam é sempre o mesmo: a empresa avisou a saída primeiro, foi pedir os acessos depois, e descobriu no pior momento que o domínio estava no CNPJ da agência. Este guia existe pra sua troca não virar essa história.

O inventário: o que é seu e onde mora

AtivoO que conferirRisco se ignorar
DomínioTitular no registro.br deve ser o SEU CNPJDomínio em nome da agência = seu endereço é dela
Arquivos do siteBackup completo: arquivos + banco de dadosSem backup, sair = reconstruir do zero
HospedagemAcesso ao painel; saber se o plano é seu ou revenda da agênciaSite desligado junto com o contrato
E-mailsLista de caixas, senhas e onde estão hospedadasE-mail da empresa parado no meio da troca
FerramentasAnalytics, Search Console e Google Ads na conta da SUA empresaHistórico e campanhas perdidos na saída

A primeira linha é a que mais dói. A titularidade do domínio se confere em dois minutos no registro.br, e o resultado define todo o resto: se o titular é a sua empresa, você manda; se é a agência, a transferência de titularidade vira a prioridade número um, tratada com diplomacia, antes de qualquer sinal de que você pretende sair.

Ilustração de uma mão entregando uma chave a outra mão

A ordem certa (e por que a pressa custa caro)

Com o inventário na mão, a sequência é: reunir backups e acessos enquanto a relação ainda é cordial (um pedido de rotina, "quero manter uma cópia de segurança nossa", não levanta suspeita e é seu direito); quitar o que deve e respeitar o aviso prévio do contrato; formalizar a saída por escrito; e só então migrar. A migração técnica em si, com tudo em mãos, é questão de dias pra um site institucional.

Uma história de como não fazer: uma indústria me procurou depois de anunciar a saída num telefonema irritado. Resultado: a agência parou de responder, o site caiu "por coincidência" na semana seguinte, e o domínio, registrado no CNPJ do sócio da agência, virou moeda de negociação de uma "taxa de encerramento" que não estava em contrato nenhum. Levaram meses e advogado pra recuperar o endereço que sempre deveria ter sido deles. Todo esse custo caberia num pedido de backup feito duas semanas antes do telefonema.

Migrar sem derrubar o Google

O medo legítimo de quem já rankeia: perder as posições na troca. A regra é uma só: nenhum endereço que o Google conhece pode passar a dar erro. Se o site novo mantém as mesmas URLs, nada a fazer; se os endereços mudam, cada antigo redireciona pro novo equivalente (o tal redirecionamento 301). Feito isso, o histórico se preserva, com no máximo uma oscilação de poucos dias. O que derruba ranking é página sumindo, e isso é sintoma de migração feita sem lista de URLs, não fatalidade da mudança. Migrei sites com anos de Google acumulado sem perder posição; o segredo é só disciplina de redirect.

No pós-mudança, duas semanas de atenção: formulário de contato testado (é o que mais quebra calado), e-mails entrando e saindo, e o Search Console vigiado pra capturar qualquer erro novo. Aliás, se você ainda não tem acesso ao Search Console da sua empresa, essa é mais uma coisa pra trazer pra casa na mudança.

Ilustração de um cadeado aberto com uma etiqueta pendurada

Escolhendo a próxima casa (pra não repetir a história)

A mudança é a hora de instalar as cláusulas de liberdade que faltaram: domínio registrado no SEU CNPJ (inegociável), acessos de administrador entregues desde o início, backup periódico em mãos da empresa, e a resposta clara pra pergunta "se a gente se separar amanhã, o que acontece?". Fornecedor sério responde essa pergunta sem se ofender; quem se ofende está contando com o cativeiro. O roteiro completo de perguntas está em perguntas antes de contratar um site, e o retrato do fornecedor que some, em fornecedor de site que abandona.

E se a mudança coincidir com a vontade de renovar o site, avalie o timing de refazer: às vezes vale migrar o site atual primeiro (rápido, sem risco) e refazer com calma na casa nova; às vezes o site é velho o bastante pra valer a reconstrução direta. Decisão de caso a caso, sem regra de bolso.

Regra prática: mesmo sem nenhuma intenção de trocar de agência, faça o teste dos dois minutos agora: consulte seu domínio no registro.br e veja de quem é a titularidade. Se não for da sua empresa, resolva isso esta semana, com a relação em paz. É o seguro mais barato da sua presença digital.

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Perguntas frequentes

Posso trocar de agência e levar meu site?

Se o domínio está registrado no CNPJ da sua empresa e você tem (ou obtém) os arquivos e acessos, sim: site, domínio e e-mails são seus e migram com você. O que muda de agência é o serviço, não a propriedade. O risco mora nos casos em que o domínio foi registrado no nome da agência ou os acessos nunca foram entregues, e é isso que se confere antes de qualquer aviso.

Como saber se o domínio é da minha empresa?

Consulte o registro público: pra domínios .br, o site registro.br mostra o CNPJ titular de qualquer domínio. Se o titular é a sua empresa, o domínio é seu, mesmo que a agência o administre. Se o titular é a agência (acontece mais do que deveria), a primeira providência da mudança é pedir a transferência de titularidade, antes de qualquer conversa de saída.

O que devo pedir pra agência antes de sair?

O pacote completo: backup dos arquivos do site e do banco de dados, acessos de administrador (site, hospedagem, painel do domínio), a lista das contas de e-mail com senhas, e os acessos das contas de anúncio e ferramentas (Google Ads, Analytics, Search Console) que devem estar em nome da sua empresa. Tudo isso é seu por direito se o contrato não disser o contrário.

Trocar de site ou de hospedagem derruba o Google?

Não, se a mudança preservar os endereços das páginas ou redirecionar os antigos pros novos (redirecionamento 301). O que derruba ranking é página sumindo sem redirecionamento: o Google chega no endereço antigo, encontra erro e o resultado morre. Migração bem feita mantém as posições; costuma haver oscilação pequena por alguns dias, não queda.

A agência pode segurar meu site se eu quiser sair?

Reter dados e acessos de quem quitou o combinado não tem amparo: site, conteúdo e domínio registrado no seu CNPJ são ativos da sua empresa. Na prática, porém, a discussão atrasa a vida. Por isso a ordem importa: garanta backup e acessos com a relação ainda cordial, quite o que deve, e só então formalize a saída. Quem avisa primeiro e pede depois negocia refém.

Quanto tempo leva pra migrar um site?

Com acessos e backup em mãos, a migração técnica de um site institucional é rápida: dias, não meses. O que estica o prazo é recuperar acesso perdido, destravar domínio em nome de terceiro ou reconstruir site cujos arquivos a agência não entrega. Ou seja: o prazo da mudança depende menos da técnica e mais do dever de casa feito antes.

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