Contrato de criação de site: o que precisa estar escrito antes de você assinar

Por Darlei Cordeiro 7 min de leitura
Ilustração de um contrato com caneta e selo de aprovação

Um contrato de criação de site protege você quando responde seis perguntas por escrito: de quem é o domínio (do seu CNPJ, sempre), de quem são os arquivos e acessos, o que exatamente será entregue, em que prazo e etapas, o que acontece depois do lançamento, e como a relação termina se precisar terminar. Qualquer contrato que responda essas seis já é melhor que a maioria dos que circulam por aí. E aviso honesto: não sou advogado, sou fornecedor. Faço sites pra indústrias desde 2012, e esta lista vem de mais de uma década vendo o que acontece quando cada uma dessas respostas fica em branco.

O padrão que observo: quase ninguém lê o contrato do site, e quase todo problema sério entre empresa e fornecedor nasce de algo que o contrato não disse. O documento que deveria proteger a empresa costuma proteger só quem o redigiu. A boa notícia é que não precisa de juridiquês pra virar esse jogo: precisa das cláusulas certas, e elas cabem em duas páginas.

A cláusula que mais importa: propriedade

O site e tudo que o cerca são ativos da sua empresa: o domínio registrado no SEU CNPJ, os arquivos do site, as contas de e-mail, os acessos de administrador, o Google Business, o Analytics. O contrato precisa dizer isso com todas as letras, porque o silêncio aqui cria o cativeiro clássico: a agência registra o domínio no nome dela "pra facilitar", administra tudo, e anos depois a empresa descobre que o próprio endereço na internet pertence a outro CNPJ. Vi essa história muitas vezes, sempre descoberta no pior momento: na hora de trocar de fornecedor (o artigo sobre mudar de agência conta como se sai dessa, e o sobre fornecedor que abandona mostra o que acontece quando nem há com quem negociar).

CláusulaO que deve dizerRisco sem ela
DomínioRegistrado no CNPJ do cliente, administrado com acesso compartilhadoSeu endereço vira propriedade do fornecedor
Arquivos e acessosEntregues ao cliente na publicação (ou quando pedir)Sair do fornecedor = refazer o site do zero
EscopoPáginas, quem escreve o conteúdo, rodadas de ajuste incluídas"Isso não estava incluso" a cada pedido
PrazoEtapas com datas e o que depende do cliente em cada umaProjeto sem fim, sem culpado definido
Pós-lançamentoGarantia de correções, preço de ajustes, escopo da mensalidade se houverBriga no primeiro ajuste, site abandonado depois
SaídaBackup final entregue, prazo de transição, sem multa de cativeiroNegociar refém na hora de trocar
Ilustração de uma chave com etiqueta de propriedade

Escopo e prazo: onde nascem as decepções

"Criação de site institucional" não diz nada. O contrato bom diz: quantas páginas, quais seções, quem escreve os textos (detalhe que muda o projeto inteiro, como mostro no artigo de briefing), quantas rodadas de ajuste estão incluídas antes de virar hora extra, e o que o cliente precisa entregar pra cada etapa andar. Essa última parte protege o fornecedor também, e é justo que proteja: metade dos atrasos de projeto é material que não chegou do cliente.

Sobre prazo, um alerta de quem está do lado de dentro: desconfie tanto do contrato sem prazo nenhum quanto do "pronto em 7 dias" assinado por quem não te fez uma pergunta sequer. Site profissional exige entender o negócio, escrever, desenhar e revisar; quem promete uma semana está falando de template com logo trocado. Os prazos reais por tipo de projeto estão em quanto tempo leva um site.

Depois do lançamento: a parte que ninguém combina

Todo site precisa de alguém que responda por ele depois de publicado: erro que aparece, ajuste de preço, foto nova, atualização de segurança. O contrato deve separar três coisas que costumam virar uma sopa: garantia (defeito do que foi entregue se corrige de graça, e por prazo definido), manutenção (a rotina que mantém o site no ar e seguro, com escopo e preço claros, detalhei o que ela cobre no artigo sobre manutenção de site) e evolução (página nova, seção nova: projeto novo, orçado à parte). Mensalidade que não especifica o que cobre não é manutenção, é assinatura de esquecimento.

Ilustração de um aperto de mãos sobre um documento

A cláusula de saída (o teste do caráter do fornecedor)

A pergunta que eu recomendo fazer antes de assinar qualquer contrato: "se a gente se separar daqui a dois anos, o que eu levo e em quanto tempo?". A resposta certa: você leva tudo (domínio, arquivos, e-mails, acessos), recebe um backup final, e há um prazo curto de transição pra virada acontecer sem o site cair. Quem trabalha sério responde sem se ofender, porque não conta com o cativeiro pra manter cliente. Quem se ofende com a pergunta acabou de responder a ela.

Regra prática: antes de assinar, leia o contrato procurando as respostas às seis perguntas (domínio, arquivos, escopo, prazo, pós-lançamento, saída). Cada resposta que faltar, peça por escrito, nem que seja um e-mail complementar. Duas páginas com as cláusulas certas valem mais que vinte de juridiquês.

O contrato é o filtro final; antes dele vem a escolha do fornecedor. O roteiro de perguntas antes de contratar e os critérios de como escolher quem faz o site completam este guia. E se quiser uma segunda opinião sobre uma proposta que você recebeu, a análise gratuita serve pra isso também: devolvo meu diagnóstico em até 2 dias úteis, sem compromisso.

Perguntas frequentes

Contrato de site precisa de advogado?

Pra um site institucional, não necessariamente: um contrato simples de duas ou três páginas, com as cláusulas certas, protege as duas partes. Advogado vale a pena em projetos grandes (sistema, e-commerce robusto, integração com ERP) ou quando o contrato apresentado pelo fornecedor é longo e cheio de miudezas. Na dúvida, uma revisão avulsa de contrato custa pouco perto do que uma cláusula ruim custa.

E se a agência registrou o domínio no nome dela?

Peça a transferência de titularidade pro CNPJ da sua empresa, de preferência com a relação ainda cordial. Domínio .br se consulta e se transfere pelo registro.br. Enquanto o endereço estiver no nome de outra empresa, o seu site, seu e-mail e o resultado acumulado no Google moram em terreno alheio. O passo a passo completo está no artigo sobre mudar de agência sem perder o site.

A manutenção precisa estar no contrato?

Precisa estar definida, nem que seja pra dizer que não está incluída. O combinado deve responder: erros e defeitos são corrigidos de graça por quanto tempo? Ajustes pequenos (trocar um preço, uma foto) custam quanto? Existe mensalidade, e o que ela cobre? Contrato mudo sobre o pós-lançamento é a fonte número um de briga entre cliente e fornecedor no segundo ano.

O código-fonte do site é meu?

Depende do que foi contratado, e é isso que o contrato deve dizer. Em site feito sob medida, o combinado justo é os arquivos serem seus, com cópia entregue quando você pedir. Em plataformas alugadas (Wix, por exemplo) não existe código a levar: cancelou a assinatura, o site deixa de existir. Essa diferença muda o seu poder de saída e está explicada no artigo sobre Wix pra empresas.

Pagar 50% de sinal é normal?

É praxe de mercado e não é bandeira vermelha: o fornecedor começa um trabalho sob medida que não serve pra mais ninguém. O restante costuma vencer na entrega ou na publicação. Desconfie das pontas: 100% adiantado concentra todo o risco em você, e quem aceita começar sem nada talvez esteja com a agenda vazia demais. O importante é o contrato amarrar pagamento a etapas verificáveis.

Fechei só por WhatsApp e e-mail, sem contrato. Estou desprotegido?

Menos do que parece: proposta aceita por escrito, mesmo em mensagem, vale como acordo, e a troca de mensagens documenta escopo, valores e prazos. Guarde tudo. Mas isso é a rede de segurança, não o ideal: peça que o essencial (domínio no seu CNPJ, entrega de acessos, o que está incluído) seja confirmado por escrito num documento único. Fornecedor sério aceita na hora.

Análise gratuita

O seu site mostra o tamanho que a sua indústria tem?

Me conta sobre a sua indústria. Eu olho o seu site sem custo e te mostro, na prática, onde ele deixa o comprador desconfiado e o que fazer pra ele mostrar a força que a sua estrutura tem. E-mail e suporte entram na conversa também.

Resposta rápida, sem compromisso, direto no seu WhatsApp.

Pedir minha análise gratuita

Me chama no WhatsApp, quem responde sou eu Fale comigo no WhatsApp