Fazer o site por dentro ou contratar: a conta honesta

Por Darlei Cordeiro 7 min de leitura
Ilustração de uma pessoa equilibrando muitas ferramentas ao lado de um especialista com uma só

A resposta honesta em duas linhas: faça por dentro se existir, dentro da empresa, alguém DE OFÍCIO (contratado pra isso, com horas alocadas de verdade); contrate se o site for tarefa extra de alguém que já tem outro trabalho, seja o TI, o marketing de uma pessoa só, o sobrinho que entende ou você mesmo depois das 22h. Não é uma questão de capacidade: é de estrutura. Site de empresa é projeto com dono, prazo e manutenção por anos, e tarefa extra não sustenta nenhum dos três.

Declaro o viés antes da conta: eu vendo exatamente o serviço de fazer por fora, então me desconte. Mas repare que o meu argumento não é "ninguém consegue fazer": as ferramentas melhoraram tanto que quase todo mundo consegue. O argumento é que "conseguir fazer" e "valer a pena fazer" são contas diferentes, e a segunda quase nunca é feita. Vamos fazê-la juntos.

A conta que ninguém faz (as três parcelas)

ParcelaComo calcularExemplo real
Horas de quem fazHoras gastas × valor da hora da pessoa60h de um gerente a R$ 80/h = R$ 4.800
Custo de oportunidadeO que essas horas produziriam no trabalho realPropostas não enviadas, clientes não visitados
Custo do resultadoOrçamentos que o site amador não gera1 pedido industrial perdido paga o projeto inteiro

A primeira parcela sozinha já surpreende: 60 horas é estimativa modesta pra quem faz pela primeira vez (aprender a ferramenta, montar, empacar, refazer), e o resultado dessas 60 horas compete com sites feitos por quem faz o milésimo. A terceira parcela é a que dói de verdade no B2B: ticket industrial é alto, e um único comprador que entrou, desconfiou e saiu paga a diferença entre o amador e o profissional. O artigo sobre o que o comprador avalia mostra exatamente onde essa desconfiança nasce.

Ilustração de um relógio derretendo sobre um site inacabado

O site 70% pronto (a história que se repete)

Uma indústria me procurou depois de 14 meses de "site novo em andamento" por dentro. O sobrinho competente começou empolgado, montou a home num construtor, e aí a vida aconteceu: faculdade, emprego, namorada. O site ficou 70% pronto pra sempre, o endereço no ar com páginas vazias (pior que não ter site: prova pública de abandono), e a empresa sem coragem de cobrar, porque cobrar parente custa caro na família. Contratado, o projeto saiu em semanas, e o alívio declarado do dono não foi nem o site: foi ter de volta um assunto a menos.

Essa história tem dezenas de variações (o TI que sabe infraestrutura mas não vende, o marketing de uma pessoa engolido pela rotina, o dono de madrugada com a IA ou o Canva), e todas terminam no mesmo lugar: projeto sem dono cobrável não termina, só desbota. Prazo é o sintoma; a causa é estrutural, como detalho em quanto tempo leva um site.

Quando por dentro funciona (sendo justo)

Funciona quando a competência é de ofício e as horas são alocadas: a empresa que tem um profissional de marketing digital contratado, com o site como parte formal do trabalho dele, faz por dentro com sucesso. Funciona pra necessidade genuinamente mínima (uma página provisória de contato enquanto o projeto real não vem). E funciona como divisão de trabalho no arranjo que mais recomendo: contrate a obra, opere o dia a dia. O projeto (estratégia, estrutura, textos que vendem, design) vem de fora; a rotina leve (foto nova, preço atualizado, um artigo no blog) fica em casa, com o site preparado pra isso. Você compra o que não tem e mantém a autonomia que quer.

Ilustração de uma calculadora com custos escondidos saltando pra fora

Como decidir em 5 minutos

Três perguntas, papel na mão. Um: quem faria por dentro tem isso como ofício e horas formalmente alocadas, ou seria tarefa extra? Dois: o resultado que essa pessoa entrega hoje (não daqui a um ano de aprendizado) convence um comprador que compara você com o concorrente profissional? Três: daqui a 2 anos, quem atualiza, conserta e responde por esse site? Duas respostas ruins ou vagas encerram a dúvida: contrate a obra. Uma resposta ruim: considere o meio-termo. Três respostas boas: faça por dentro com a minha bênção, e o briefing serve igual pra organizar o projeto interno.

Régua rápida: se o valor/hora de quem faria por dentro, multiplicado pelas horas reais do projeto, passa do orçamento de um profissional, a economia é ilusão de ótica. E quase sempre passa: a diferença é que a fatura interna ninguém emite.

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Perguntas frequentes

Posso fazer o site da minha empresa eu mesmo?

Pode, as ferramentas existem e melhoraram muito (construtores, IA, templates). A pergunta certa não é "consigo?", é "é o melhor uso das minhas horas, e o resultado vai convencer um comprador?". Pra cartão de visita digital simples, talvez sim. Pra site que disputa orçamento com concorrente profissional, a economia aparente costuma custar caro em venda que não chega.

Quanto custa fazer o site internamente?

Some três parcelas que ninguém soma: as horas de quem faz multiplicadas pelo valor real da hora dessa pessoa (um gerente a R$ 80/h que gasta 60 horas custou R$ 4.800 antes da primeira visita), o custo de oportunidade do que essa pessoa deixou de fazer, e o custo do resultado amador (orçamentos que não chegam porque o site não convence). A ferramenta "grátis" é a menor parcela da conta.

Quando fazer por dentro funciona de verdade?

Quando existe gente DE OFÍCIO dentro de casa: um profissional de marketing ou desenvolvimento contratado pra isso, com tempo alocado de verdade (não "nas horas vagas"). Funciona também pra necessidades genuinamente simples, tipo uma página de contato provisória. O padrão que falha é sempre o mesmo: a tarefa entregue a alguém que tem outro emprego dentro da empresa, pra fazer nos intervalos que nunca existem.

E se meu sobrinho (ou um parente que entende) fizer?

O problema não é a competência do parente, é a estrutura do arranjo: sem contrato, sem prazo, sem custo de desistir, o projeto compete com a vida da pessoa e quase sempre perde. E quando precisar de ajuste urgente daqui a 2 anos, o "fornecedor" pode estar de mudança, de emprego novo ou de relação estremecida. Site de empresa precisa de responsável cobrável, e cobrar parente tem custo que ninguém quer pagar.

Existe meio-termo entre interno e contratado?

Existe, e costuma ser o melhor arranjo: contrata-se o projeto (estratégia, estrutura, design, textos, a obra) e a empresa assume por dentro o que é rotina leve: publicar uma foto, atualizar um preço, alimentar o blog. Você compra a competência que não tem e mantém a autonomia do dia a dia. O contrário (projeto amador por dentro + socorro profissional depois) sai mais caro que ter contratado direto.

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