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MRP: o cálculo que diz o que comprar, quanto e quando (sem faltar nem sobrar)
MRP (Material Requirements Planning, planejamento das necessidades de materiais) é o cálculo que responde as três perguntas que tiram o sono de quem toca fábrica: o que comprar ou produzir, em que quantidade e pra quando. Ele parte dos pedidos e previsões de venda, "explode" a estrutura de cada produto (tudo que o compõe, nível por nível), desconta o que já existe em estoque e devolve um plano de compras e ordens de produção com datas, calculadas de trás pra frente a partir do prazo de entrega.
É a resposta da engenharia pro dilema eterno do estoque: de um lado a FALTA (linha parada esperando parafuso de R$ 2, entrega atrasada, compra emergencial com frete de desespero), do outro a SOBRA (capital de giro dormindo em prateleira, como mostra a conta do capital de giro). Sem cálculo, a fábrica oscila entre os dois pagando os dois. O MRP existe pra acertar a janela.
Os 3 ingredientes do cálculo (e onde ele desanda)
| Ingrediente | O que é | Onde desanda |
|---|---|---|
| 1. Demanda | Carteira de pedidos + previsão de vendas no horizonte | Previsão de chute; pedido informal que não entra no plano |
| 2. Estrutura do produto (BOM) | A árvore de componentes com quantidades por nível | Cadastro desatualizado: a fábrica mudou, a árvore não |
| 3. Estoques + lead times | Saldo real de cada item e prazo de reposição de cada fornecedor | Estoque de sistema ≠ estoque de prateleira; lead time otimista |
A regra de ouro que consultor esquece de avisar: o MRP é tão bom quanto o pior dos três ingredientes. Sistema caro rodando sobre BOM desatualizada e estoque impreciso produz plano errado com pontualidade britânica, e a fábrica volta ao apagão de sempre, agora culpando o software. Antes de investir em ferramenta, invista em acuracidade: inventário confiável, estruturas revisadas e lead times realistas valem mais que qualquer módulo.
O exemplo que esclarece (10 portões pra dia 30)
Pedido: 10 portões industriais pra entregar dia 30. A explosão desce a árvore: 10 quadros estruturais, 20 colunas, 40 dobradiças reforçadas, 180 metros de tubo, 25 quilos de eletrodo, 10 kits de pintura. O sistema confere o estoque: tem tubo pra 6 portões e dobradiça pra tudo; faltam tubo pra 4, eletrodo e kits. Aí entra a mágica das datas: a solda precisa começar dia 18; o tubo tem lead time de 7 dias, então a compra sai até dia 10; o kit de pintura, importado com 20 dias, deveria ter sido pedido ONTEM, e o sistema acusa em vermelho. É esse aviso antecipado, item por item, data por data, que separa a fábrica que programa da que apaga incêndio: o problema do dia 29 aparece no dia 1º, quando ainda é e-mail, não hora extra.
Planilha ou sistema? A régua honesta
Com poucos produtos e estrutura simples, a lógica MRP roda numa planilha de fim de semana, e recomendo começar assim: o EXERCÍCIO de montar a BOM e levantar lead times já organiza mais que muito software largado. Os sinais de que a planilha venceu o prazo de validade: falta recorrente apesar do esforço, compras emergenciais toda semana, recálculo manual a cada pedido novo, e o "só o Fulano entende a planilha" (risco ambulante). Nesse ponto, o módulo MRP de um ERP se paga, lembrando a ordem certa: primeiro a disciplina dos dados, depois a ferramenta: automatizar bagunça só produz bagunça mais rápida. E o MRP não aposenta o PCP: ele é a calculadora; o PCP segue sendo o cérebro que decide prioridade, sequência e o que fazer quando o mundo real desobedece o plano.
Toda essa lógica de "chegar antes do problema" tem prima na área comercial: prever demanda é mais fácil quando os pedidos chegam com constância, e funil constante se constrói (o caminho está em como gerar leads pelo site). Se a sua fábrica programa bem a produção mas vive de pedido imprevisível, a análise gratuita mostra onde a previsibilidade comercial pode nascer.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre MRP, MRP II e ERP?
O MRP original calcula necessidade de MATERIAIS (o que comprar/produzir, quanto e quando). O MRP II ampliou o cálculo pra demais recursos da manufatura: capacidade de máquina, mão de obra, finanças da produção. O ERP é o guarda-chuva da empresa inteira (fiscal, financeiro, vendas, estoque, produção), e o MRP vive dentro dele como um dos módulos. Na prática de fábrica: MRP é a conta; ERP é o sistema onde a conta roda.
Preciso de sistema pra rodar MRP ou planilha resolve?
Depende do tamanho da explosão: com poucos produtos, estruturas curtas e fornecedores estáveis, uma planilha bem montada roda o cálculo e muita fábrica pequena vive bem assim. A planilha quebra quando cresce o número de itens, de níveis na estrutura e de pedidos simultâneos: aí o recálculo manual vira fonte de erro e o sistema se paga. O critério honesto: se a fábrica já sofre com falta e sobra apesar do esforço, a conta superou a planilha.
O que é a "explosão de materiais" (BOM)?
BOM (Bill of Materials) é a estrutura do produto: a lista hierárquica de tudo que o compõe, com quantidades. A "explosão" é o cálculo que desce essa árvore: dado um pedido de 10 portões, o sistema multiplica cada nível (10 quadros, 20 colunas, 40 dobradiças, X metros de tubo, Y quilos de eletrodo) e desconta o que já há em estoque. Sem BOM correta e estoque acurado, o MRP calcula certinho... em cima de dados errados.
MRP combina com just in time?
Combinam mais do que a rivalidade histórica sugere: o MRP planeja OLHANDO PRA FRENTE (previsão e pedidos futuros) e o just in time puxa a reposição PELO CONSUMO real. Fábricas maduras misturam: MRP pra itens de lead time longo e demanda projetável (importados, aços especiais), kanban/JIT pra itens de giro constante e reposição rápida. A pergunta não é qual filosofia vence: é qual item pede qual lógica.
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