Refazer o site sem perder o Google: como a migração preserva o que você conquistou

Por Darlei Cordeiro 7 min de leitura
Ilustração de um navegador reformado com gráfico de posições estável

Dá pra refazer o site inteiro sem perder o que você conquistou no Google. A condição é uma migração planejada: cada endereço que o Google conhece redireciona pro equivalente no site novo, e o conteúdo que traz visitas continua existindo (melhorado, se possível). Feito isso, o histórico se transfere, a oscilação se limita a alguns dias e as posições voltam ao lugar, com boa chance de melhorarem, porque site novo costuma ser mais rápido e melhor no celular, duas coisas que o Google premia.

Esse medo merece respeito, porque ele tem origem verdadeira: sites caem, sim, quando são refeitos de qualquer jeito. Mas repare no detalhe que muda tudo: eles não caem porque foram refeitos, caem porque foram demolidos sem placa de desvio. A diferença entre os dois cenários é método, não sorte. E o medo tem um custo escondido: empresa que adia a reforma por anos segue pagando o preço do site velho todos os dias (os sinais de que chegou a hora estão em quando refazer o site).

Por que sites caem quando são refeitos

Três causas explicam quase todos os desastres. Primeira: os endereços mudam e ninguém redireciona. O site novo nasce com URLs novas, o Google chega nas antigas, encontra erro, e cada erro apaga um resultado conquistado. Segunda: a faxina excessiva. Na empolgação do "site clean", apagam-se as páginas e os textos que rankeavam, e o Google deixa de ter o que mostrar. Terceira: o site novo é pior tecnicamente, mais lento ou ruim no celular, e entrega uma experiência que o Google rebaixa (velocidade é venda, além de ranking).

Nenhuma das três é fatalidade. As duas primeiras se resolvem com inventário e mapa de redirecionamento; a terceira, com um site bem construído. É por isso que a pergunta certa pro fornecedor não é "vou perder o Google?", e sim "qual é o seu plano pra eu não perder?".

Ilustração de placas de desvio apontando para um novo caminho

O redirecionamento 301, sem tecnês

Pense na mudança de endereço de uma empresa: avisa-se o correio, e a correspondência passa a ser encaminhada pro endereço novo. O redirecionamento 301 é exatamente isso pra páginas: quem acessa o endereço antigo é levado ao novo automaticamente, e o Google, ao perceber o aviso, transfere o histórico da página antiga pra nova. Visitante não se perde, resultado não se perde.

Situação na reformaO que fazer
Página mantém o endereçoNada: o Google nem percebe a troca de roupa
Página muda de endereço301 do endereço antigo pro novo
Página deixa de existir301 pra página mais parecida (produto pro catálogo, por exemplo)
Página nova, sem equivalente antigoEntra no sitemap e o Google a descobre naturalmente

O que preservar do site velho

Antes de desenhar qualquer tela, o projeto sério começa com um inventário: quais páginas trazem cliques e por quais buscas (o Google Search Console entrega isso de graça). Essas páginas são patrimônio. Os textos delas se mantêm ou se melhoram; os títulos, que são o que o Google exibe, não se trocam por frase de efeito. Atendi uma indústria cujo site tinha uma página técnica antiga, feia de doer, que trazia quase metade das visitas do site. A vontade da empresa era apagar aquilo no site novo. Mantivemos o conteúdo, redesenhamos a moldura, e a página seguiu trabalhando, agora bonita. Se tivéssemos apagado, a empresa perderia a principal porta de entrada de compradores sem nunca descobrir o porquê.

Ilustração de um gráfico com oscilação breve e retomada de subida

O que esperar nas semanas seguintes

Com a virada feita, é normal o Google levar dias pra reprocessar tudo e as posições balançarem de leve por algumas semanas. Balançar é diferente de despencar: oscilação pequena com volume de visitas estável é o processo saudável; queda forte e contínua é alarme de endereço quebrado ou conteúdo sumido, e o Search Console aponta onde. Nesse período, vigie também o que ninguém vigia: o formulário de contato testado de ponta a ponta (é o que mais quebra em migração, e quebra calado) e a velocidade real no celular.

A pergunta que resolve tudo antes de contratar: "qual é o seu plano de redirecionamento?". Quem responde com naturalidade (inventário, mapa de URLs, 301 no dia da virada, Search Console depois) sabe o que faz. Quem não entende a pergunta vai demolir o seu site sem placa de desvio.

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Perguntas frequentes

Refazer o site zera o SEO?

Não, se a migração for planejada. O Google rankeia páginas, não design: se cada endereço antigo redirecionar pro equivalente novo e o conteúdo que traz visitas continuar existindo, o histórico se transfere. O que zera SEO é demolir sem desvio: páginas que o Google conhecia passando a dar erro. Isso é sintoma de migração malfeita, não consequência inevitável de refazer.

O que é redirecionamento 301?

É o aviso oficial de mudança de endereço da internet: quem acessa a página antiga (pessoa ou Google) é levado automaticamente pra nova, e o Google entende que deve transferir pra ela o histórico acumulado. Funciona como correio que encaminha correspondência pro endereço novo, sem carta perdida. É configuração simples pra quem faz site profissionalmente, e é ela que separa migração tranquila de queda no ranking.

Quanto tempo o Google leva pra processar o site novo?

As páginas redirecionadas começam a ser reprocessadas em dias. É normal haver oscilação pequena de posições por algumas semanas enquanto o Google reindexa tudo; o que não é normal é queda forte e contínua, sinal de endereço quebrado ou conteúdo apagado. Com redirecionamentos certos e conteúdo preservado, as posições se estabilizam, e costumam melhorar quando o site novo é mais rápido e melhor no celular.

Posso mudar os textos no site novo?

Pode e deve melhorar, com um cuidado: descubra primeiro quais páginas e textos trazem visitas (o Google Search Console mostra de graça) e melhore a partir deles em vez de escrever do zero. O erro clássico é trocar um texto que rankeia há anos por um slogan bonito e curto: a página fica elegante e some do Google, porque o Google gostava justamente do conteúdo que foi apagado.

Trocar de plataforma ou de hospedagem na reforma atrapalha?

Não. O Google não rankeia plataforma: rankeia endereço, conteúdo e experiência. Dá pra sair do WordPress, de um construtor pronto ou de um sistema antigo sem perder nada, desde que a regra dos endereços seja respeitada. Aliás, a reforma costuma ser a hora certa de trocar uma plataforma que limita por uma estrutura melhor. Se a troca envolve sair de uma agência, o artigo sobre mudar de agência sem perder o site cobre a parte dos acessos.

Meu site atual nem aparece no Google. Preciso me preocupar com isso?

Não: quem não tem posição não tem o que perder, e a reforma é só ganho. Nesse caso o foco muda de preservar pra construir: entender por que o site não aparece (tem artigo aqui do blog sobre isso) e fazer o site novo já nascer com estrutura, conteúdo e velocidade que o Google premia. A migração cuidadosa é preocupação de quem já colhe visitas do Google hoje.

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