E-mail marketing para empresa: o canal esquecido que segura cliente

Por Darlei Cordeiro 6 min de leitura
Ilustração de um envelope de e-mail saindo de um funil em direção a clientes

Vale a pena, e muito: o e-mail é o canal mais barato que uma empresa tem pra manter cliente vivo, e o mais esquecido. Enquanto todo mundo disputa atenção em rede social alugada, a caixa de entrada dos seus clientes segue lá, com a mensagem chegando pra quem já te conhece e já te comprou. A condição inegociável é uma só: base própria. Lista comprada não é atalho, é incêndio, e eu explico o porquê já já.

No B2B a força do e-mail é ainda mais clara, porque o problema número um não é conquistar cliente, é ser esquecido por ele. O comprador que te comprou em março resolve o problema de novo em outubro, e compra de quem estiver na lembrança naquele dia. Um e-mail útil por mês é a forma mais barata de ser esse lembrado.

Comece pela base que você já tem

A maioria das indústrias que eu atendo já possui uma lista de e-mails valiosa sem saber: os clientes ativos no sistema, os que compraram uma vez e sumiram, os leads que pediram cotação e não fecharam, os contatos de feira. Essa base, que costuma ter centenas de nomes, vale mais que qualquer lista de milhares de estranhos, porque é gente que já teve relação com a marca.

O site alimenta essa base continuamente, se for montado pra isso: formulário de cotação, download de catálogo, inscrição pra receber os artigos. Cada mecanismo desses eu detalho no texto sobre gerar leads pelo site. O ecossistema fecha assim: o site captura o contato, o e-mail mantém a relação morna, e o vendedor colhe quando a necessidade aparece.

Ilustração de um ímã atraindo envelopes com contatos de clientes pra dentro de uma caixa

Por que lista comprada é incêndio, não atalho

Sei da tentação: alguém oferece "50 mil e-mails de compradores industriais" por umas centenas de reais. Parece volume, é veneno em três camadas. Primeira: essas pessoas nunca pediram nada seu, então marcam como spam, e os provedores aprendem rápido que o seu domínio manda lixo. Resultado: até a proposta legítima do seu vendedor passa a cair em spam. Segunda: a LGPD exige base legal pra usar dado pessoal, e "comprei numa planilha" não é base legal, como explico no artigo sobre LGPD no site. Terceira: a taxa de resposta dessas listas é tão baixa que nem o argumento cínico do volume se sustenta.

Regra sem exceção: só entra na lista quem deu o e-mail pra você. Cliente, lead do site, contato de feira, indicação. Cem contatos assim rendem mais que cinquenta mil comprados, e não colocam o domínio da empresa em risco.

O que mandar (a régua do "isso ajuda o cliente?")

O e-mail que funciona no B2B passa num teste simples: o cliente terminaria de ler pensando "que bom que mandaram"? Quatro formatos passam nesse teste com folga. A novidade de produto contada pela aplicação ("agora fazemos X, o que resolve o problema Y"). O artigo do site respondendo uma dúvida comum, que aliás é o casamento perfeito com o blog da empresa. O caso de cliente com resultado concreto. E o aviso operacional honesto: reajuste que vem aí, prazo de fim de ano, férias coletivas.

O que reprova no teste: promoção atrás de promoção, autoelogio institucional e e-mail diário. Frequência ideal pra indústria é mensal, quinzenal no máximo. O objetivo não é vender em cada mensagem, é nunca sair da lembrança. A venda acontece quando a necessidade do cliente encontra a sua presença constante.

O e-mail que recupera cliente parado

Aqui mora o dinheiro mais rápido do e-mail marketing. Todo sistema de vendas tem uma lista de clientes que compravam e pararam, e no B2B esse cliente raramente saiu brigado: a rotina levou, um concorrente apareceu, o comprador mudou. Um e-mail pessoal, assinado pelo vendedor, do tipo "faz tempo que não falamos, como está a demanda de vocês? Saiu uma condição nova pra o produto que vocês usavam", reabre conversa que nenhum anúncio reabriria. Já vi um único disparo desses, pra 80 clientes inativos de um cliente meu, voltar três pedidos na mesma semana. Custo da ação: uma tarde de trabalho.

Ilustração de um envelope com um sino de notificação reacendendo uma lâmpada apagada

O básico técnico pra não cair em spam

Dois cuidados técnicos resolvem 90% da entregabilidade. Mande do domínio da empresa (vendas@suaempresa.com.br, nunca um Gmail), com as autenticações de remetente configuradas, o famoso trio SPF, DKIM e DMARC que o seu fornecedor de e-mail ativa em minutos, assunto que eu já tratei no artigo sobre e-mail profissional. E use uma ferramenta de envio em vez de disparar cópia oculta do Outlook, que é o jeito mais rápido de ser marcado como spam. As plataformas conhecidas têm plano gratuito ou barato pra bases de centenas de contatos; qualquer uma serve pra começar.

Métrica pra acompanhar sem se afogar: quantos responderam ou clicaram, e quantos pediram pra sair. Abertura virou número pouco confiável; resposta é o sinal de ouro no B2B, porque resposta é conversa, e conversa é pedido a caminho.

Primeiro passo desta semana

Exporte os contatos do seu sistema, separe clientes ativos de inativos, e escreva um único e-mail útil pra cada grupo. Sem automação sofisticada, sem funil de sete etapas: um e-mail bom, mandado pra quem te conhece, já coloca a máquina pra girar. Sofisticação é degrau dois.

E se a dúvida for "meu site captura contato o suficiente pra alimentar essa lista?", essa resposta eu te dou de graça: a análise gratuita mostra por onde os contatos estão escapando do seu site hoje. Em até 2 dias úteis, direto ao ponto.

Perguntas frequentes

E-mail marketing vale a pena pra empresa?

Vale, e é provavelmente o canal mais barato que existe pra manter cliente ativo e recuperar quem parou de comprar. A condição é usar base própria: clientes, leads do site e contatos que autorizaram. Com lista comprada, o e-mail vira spam, queima o domínio e ainda esbarra na LGPD.

Pode comprar lista de e-mails?

Não. Lista comprada é contato que nunca pediu pra receber nada seu: as mensagens caem em spam, o provedor passa a bloquear até seus e-mails legítimos e a LGPD proíbe usar dados pessoais sem base legal. O atalho custa mais caro que o caminho: construir base própria, contato a contato.

O que mandar no e-mail marketing de uma empresa B2B?

Conteúdo que o cliente usa: novidade de produto com aplicação prática, artigo respondendo dúvida comum, caso de cliente, aviso de reajuste ou prazo. Um e-mail por mês, útil e curto, mantém a empresa na lembrança sem cansar. Promoção atrás de promoção ensina o cliente a ignorar.

Como recuperar cliente que parou de comprar por e-mail?

Com mensagem pessoal e direta, de preferência assinada pelo vendedor: perguntando como está a operação, avisando de uma condição nova ou apresentando um produto que encaixa no histórico dele. No B2B, o cliente parado geralmente não brigou com você, só foi levado pela rotina ou por um concorrente mais presente.

Qual ferramenta de e-mail marketing usar?

Pra começar, qualquer uma das conhecidas resolve: os planos gratuitos ou de entrada cobrem uma base de centenas de contatos. Mais importante que a ferramenta é mandar do domínio da empresa, com autenticação configurada, pra não cair em spam. A escolha fina de plataforma vem depois que a rotina existir.

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