Por que o comprador some no celular (e o que faz um site funcionar no mobile)

Por Darlei Cordeiro 5 min de leitura
Mão segurando um celular com o site de uma empresa aberto na tela

O comprador some no celular por um motivo simples: a maioria dos sites de empresa foi desenhada olhando pra tela do computador, e quando ela encolhe pro tamanho de um telefone, tudo aperta. Texto que vira formiga e pede lupa. Botão que não dá pra acertar com o dedo. Menu que não abre. Formulário que dá trabalho de preencher com o polegar. O visitante não escreve reclamando disso. Ele só fecha a aba e abre a do concorrente que carregou direito.

E isso pesa muito, porque hoje a maior parte de quem procura fornecedor faz a busca pelo celular: no chão de fábrica ou parado no trânsito. O que faz um site funcionar aí é ele ser responsivo, uma palavra técnica pra uma ideia boba de entender: o site se ajusta ao tamanho da tela. No computador ele se espalha, no celular ele se reorganiza pra caber e continuar fácil de tocar. Abaixo eu mostro onde os sites mais apanham no celular, um teste de 30 segundos que você faz agora com o seu, e por que isso não é firula.

A maioria já chega pelo celular

Faz tempo que a conta virou. Na maioria dos sites de indústria que eu acompanho, mais da metade das visitas vem do celular, e em vários passa de 7 em cada 10. O comprador não está na mesa dele com dois monitores. Ele está andando pela fábrica, achou um problema, pegou o telefone e digitou o que precisa no Google. O primeiro contato com a sua empresa acontece ali, numa tela de 6 polegadas segurada com uma mão só.

Se nessa tela o seu site aparece espremido, com o texto do computador encolhido, você perdeu antes de começar. E o pior é que ninguém te avisa. O sujeito não liga pra dizer "olha, seu site tava ruim no meu celular". Ele volta pro resultado do Google e clica no próximo.

Ilustração de um celular de mãos dadas com uma pessoa, os dois caminhando à frente de um computador, representando o site pensado primeiro pro celular

Onde os sites apanham no celular

Depois de abrir centenas de sites no celular pra analisar, os tombos se repetem. Quase sempre é um destes cinco:

  • Texto minúsculo. Feito no tamanho da tela grande, no celular vira letra de bula. Quem tem mais de 40 anos, que é boa parte de quem compra, desiste na hora.
  • Botão que não dá pra clicar. O "Peça um orçamento" fica pequeno e colado em outro link. O dedo acerta o vizinho errado, abre a página errada, e a paciência acaba.
  • Menu quebrado. Aquele menu bonito do computador não vira o botãozinho de três risquinhos. Ou não abre, ou abre por cima do conteúdo e não fecha.
  • Formulário difícil. Campos grudados, teclado que tapa o que você digita, dez linhas pra pedir um orçamento simples. No celular, cada campo a mais é uma desistência a mais.
  • Tabela que estoura a tela. A tabela de produtos ou de medidas foi feita larga pro computador e no celular vaza pra fora, obrigando a arrastar de lado pra ler. Ninguém arrasta. Ninguém lê.

Nenhum desses é culpa do comprador. É o site que foi pensado num lugar e usado em outro.

O que é "site responsivo", em português

Responsivo assusta porque parece coisa de técnico, mas o conceito cabe numa frase: é o site que responde ao tamanho da tela em que está sendo aberto. No computador, o conteúdo se abre em colunas lado a lado. No celular, as mesmas coisas se empilham numa coluna só, o texto cresce pra dar pra ler, os botões ganham tamanho de dedo e o menu vira aquele ícone que abre com um toque.

Não é fazer dois sites. É um site só, montado de um jeito que se molda. A diferença entre um trabalho que pensou nisso desde o começo e um que só foi encolhido é gritante quando você abre no telefone: um continua confortável, o outro te faz apertar os olhos.

Mão segurando um tablet com um catálogo de produtos que se ajusta ao tamanho da tela

Eu prefiro montar o site pensando primeiro no celular e depois no computador, não o contrário. Quando você resolve a tela pequena primeiro, a grande vem fácil. Quando faz o inverso, o celular sempre fica com cara de sobra.

O teste dos 30 segundos

Chega de teoria. Faça isso agora, com o seu próprio site, sem chamar ninguém:

  1. Pegue o seu celular e abra o site da sua empresa, como se você fosse um cliente que acabou de te achar no Google.
  2. Tente pedir um orçamento. Só isso. Ache o botão, abra o formulário ou o WhatsApp e chegue até o ponto de mandar a mensagem.
  3. Conte os segundos. Passou de 30 e você ainda estava caçando o botão, dando zoom pra ler ou brigando com o formulário? É exatamente isso que o seu comprador sente.
Regra prática: se você, que conhece o site de cor, leva mais de 30 segundos pra pedir um orçamento pelo celular, o comprador que nunca te viu leva zero. Ele desiste antes.

Não é firula, é onde a venda começa

Minha posição, sem rodeio: site que só foi pensado no computador perde o comprador que pesquisa no celular. E hoje é quase todo mundo. Não adianta ter o melhor produto da região se, na tela onde a pessoa te encontra, ela não consegue ler o que você faz nem te chamar sem raiva.

Tem gente boa que ainda trata o celular como versão de segunda, como se o site "de verdade" fosse o do computador. É o contrário. O celular é onde o primeiro contato acontece, onde a impressão se forma e onde o botão de orçamento é apertado. Isso não é enfeite pra deixar bonito. É o lugar onde a venda começa, e quando ele falha, ela nem começa.

Antes de refazer nada

Antes de pensar em mexer no site, faça o teste dos 30 segundos e anote onde travou. Esse é o retrato mais honesto que existe, e é de graça: você sentindo na pele o que o seu cliente sente todo dia.

E se quiser uma leitura completa, eu faço isso na minha análise gratuita: abro o seu site no celular, aponto onde ele apanha e te devolvo os pontos que mais pesam em até 2 dias úteis. Você decide o que fazer com a informação, comigo ou com quem preferir.

Perguntas frequentes

Meu site precisa mesmo funcionar bem no celular?

Precisa, e não é detalhe. Na maioria dos sites de empresa hoje, mais da metade das visitas chega pelo celular, e é ali que o comprador tem o primeiro contato com você. Se no celular o seu site aperta o texto e esconde o botão de contato, você perde a pessoa antes de ela ver o que você faz.

O que é um site responsivo?

É o site que se ajusta ao tamanho da tela onde está aberto. No computador o conteúdo se espalha em colunas, no celular as mesmas coisas se empilham numa coluna só, o texto cresce pra dar pra ler e os botões ganham tamanho de dedo. É um site só, montado pra se moldar, não dois sites separados.

Como saber se o meu site está ruim no celular?

Faça o teste dos 30 segundos: pegue o seu celular, abra o site da sua empresa e tente pedir um orçamento, do zero até o ponto de mandar a mensagem. Se você, que conhece o site de cor, levar mais de 30 segundos caçando o botão ou dando zoom pra ler, o comprador que nunca te viu desiste antes.

Dá pra deixar meu site atual bom no celular sem refazer?

Às vezes dá. Se o site é razoavelmente novo e o problema é pontual, tipo uma tabela que vaza ou botões pequenos, dá pra ajustar. Mas quando o site foi todo pensado só pro computador e apenas encolhido no celular, o conserto vira remendo em cima de remendo, e costuma sair melhor refazer com o celular em mente desde o começo.

O que mais atrapalha um site no celular?

Cinco coisas se repetem: texto minúsculo que pede lupa, botão pequeno demais pra acertar com o dedo, menu que não abre direito, formulário trabalhoso de preencher e tabela que estoura a tela e obriga a arrastar de lado. Quase sempre é sinal de um site desenhado pro computador e nunca ajustado pro celular.

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