Proposta comercial: o que ter na proposta que fecha pedido

Por Darlei Cordeiro 7 min de leitura
Ilustração de uma proposta comercial com caneta e um carimbo de aprovação

Proposta comercial que fecha pedido é curta, específica e fácil de aprovar. Ela retoma o que o cliente pediu, descreve exatamente o que será entregue, abre o preço sem esconde-esconde, dá prazo e validade e termina dizendo qual é o próximo passo. Sete blocos, poucas páginas. É isso que este artigo destrincha.

Falo com a mão na massa: proposta é documento que eu escrevo toda semana desde 2012, e as minhas cabem em três páginas. A opinião que defendo aqui é impopular entre quem faz apostila de 20 páginas com a história da empresa: o comprador não lê a apostila. Ele procura quatro informações (o que vem, quanto custa, quando chega, como aprovo) e decide. Tudo que atrapalha essa busca atrasa o seu fechamento.

A estrutura, bloco a bloco

BlocoO que entraO erro comum
IdentificaçãoDe quem, pra quem, data e númeroProposta sem data, impossível de rastrear
O pedido do cliente2 ou 3 linhas com o problema, nas palavras delePular direto pro produto
EscopoItens, quantidades, especificações, o que não incluiEscopo vago que vira briga na entrega
PreçoValor aberto por item, condições, o que incluiNúmero escondido num parágrafo
PrazoEntrega realista, contada da aprovaçãoPrazo otimista que a produção não cumpre
Validade7 a 15 diasProposta eterna dormindo na gaveta
Próximo passoComo aprovar, em uma linhaTerminar sem pedir a decisão

Repare no segundo bloco, o mais barato e o mais ignorado. Duas linhas retomando o problema do cliente separam a proposta feita pra ele da proposta reciclada de outro orçamento. O comprador percebe a diferença em segundos, e ela muda o tom da leitura inteira.

Ilustração de dois documentos lado a lado, um inchado e confuso e outro enxuto e claro

Os erros que seguram o fechamento

O primeiro já apareceu: a apostila. Vinte páginas sobre a empresa, certificações, organograma, e o que interessa espremido na página 18. Inverta a lógica: uma página sobre você já é muita; o resto é sobre o pedido dele.

O segundo é o preço tímido, escondido no meio de um parágrafo ou, pior, "a combinar". Comprador industrial compara propostas lado a lado. A que abre o preço por item, com condições claras, facilita o trabalho dele e transmite segurança; a que esconde parece ter algo a esconder. Se o receio é o preço assustar sem contexto, o caminho não é escondê-lo: é explicá-lo, mostrando o que está dentro. Escrevi sobre essa lógica em colocar preço no site, e ela vale dobrada na proposta.

O terceiro é mandar e sumir. A proposta sai, e a empresa fica esperando o telefone tocar. Só que na mesa do comprador chegaram outras três, e a decisão desliza semana após semana. Quem acompanha educadamente fica na frente, e o jeito de acompanhar sem virar chato está na régua de três toques do artigo de follow up.

Validade e follow-up: a dupla que destrava

Uma história que ilustra. Uma indústria de estruturas metálicas me mostrou o funil dela: dezenas de propostas "em aberto", algumas com mais de quatro meses. Sem validade no documento, "em aberto" não significava nada; era pilha, não funil. E duas tinham sido aprovadas pelo cliente meses depois do envio, com aço já reajustado. Fecharam no prejuízo por educação.

Validade resolve os dois lados. Protege a sua margem contra a proposta zumbi que volta depois que o custo mudou. E cria o motivo honesto do acompanhamento: ligar pra dizer "sua proposta vence sexta, seguimos ou revalido?" não é pressão, é serviço. Comprador respeita fornecedor que trata a própria proposta como coisa viva.

Ilustração de uma ampulheta ao lado de um envelope, o prazo de validade da proposta correndo

A proposta começa antes de você enviá-la

Um detalhe que quase nenhuma indústria contabiliza: entre receber a sua proposta e responder, o comprador pesquisa a sua empresa. Ele abre o site, confere se a fábrica parece real, procura clientes e fotos, valida o CNPJ. A proposta impecável perde força se o site conta outra história, desatualizado, sem obras recentes, com cara de empresa que parou no tempo. Os dois documentos precisam dizer a mesma coisa, porque pro comprador os dois são a sua empresa. O que ele avalia nessa conferida eu listei em o que o comprador B2B avalia no site.

Regra prática: pegue a última proposta que a sua empresa enviou e cronometre quanto tempo você leva pra achar: o que será entregue, o preço, o prazo e como aprovar. Mais de 30 segundos pra qualquer um deles? O comprador também não achou, e proposta que faz o comprador procurar é proposta que espera resposta.

Quer saber que história o seu site conta pra quem acabou de receber sua proposta? A análise gratuita mostra: eu olho o site como esse comprador olharia e devolvo o diagnóstico em até 2 dias úteis.

Perguntas frequentes

O que é uma proposta comercial?

É o documento que formaliza uma oferta: o que será entregue, por quanto, em que prazo e em que condições. Diferente do orçamento, que é quase só o número, a proposta contextualiza: retoma o problema do cliente, descreve a solução, mostra por que a sua empresa e aponta o próximo passo pra fechar.

O que não pode faltar numa proposta comercial?

Sete coisas: identificação (de quem, pra quem, data), o resumo do que o cliente pediu, a descrição exata do que será entregue, o preço claro e aberto, o prazo de entrega, a validade da proposta e o próximo passo pra aprovar. Se faltar uma dessas, o fechamento emperra em dúvida ou em ida e volta de e-mail.

Quantas páginas deve ter uma proposta comercial?

Poucas. As minhas cabem em três páginas, e proposta de indústria raramente precisa de mais que cinco. O comprador decide com o resumo, o escopo, o preço e o prazo; as vinte páginas de história da empresa ele não lê, e o que ninguém lê só atrasa a resposta.

Qual a diferença entre proposta comercial e orçamento?

Orçamento é o número: quanto custa tal item em tal quantidade. Proposta é o número com contexto e caminho: o problema, a solução, o preço explicado, prazo, condições e como aprovar. Pra pedido recorrente de cliente antigo, orçamento resolve. Pra cliente novo ou venda maior, a proposta é que vende.

Quanto tempo de validade dar a uma proposta?

Entre 7 e 15 dias funciona pra maioria das indústrias. Validade curta demais parece pressão; sem validade, a proposta dorme meses na gaveta do comprador e volta pra assombrar quando o custo do insumo já mudou. A validade também dá o motivo educado do follow-up: "semana que vem ela vence, seguimos?".

Como cobrar resposta de uma proposta sem ser chato?

Com uma régua curta e espaçada: um contato dois ou três dias depois do envio pra confirmar que chegou e perguntar se ficou dúvida, outro na semana seguinte com algo útil (um detalhe técnico, uma referência), e um terceiro perto da validade. Três toques educados, cada um com um motivo real, não é insistência: é profissionalismo.

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