ROI, CAC, CPC, ROAS: as siglas do marketing traduzidas pro dono de indústria

Por Darlei Cordeiro 7 min de leitura
Ilustração de blocos com símbolos de gráfico e moeda ao lado de uma lupa

ROI é a sigla de Return on Investment, retorno sobre o investimento: quanto voltou pra cada real que você colocou. A conta é direta: ganho menos investimento, dividido pelo investimento, vezes 100. Investiu 5 mil numa campanha que trouxe pedidos com 20 mil de lucro bruto, o ROI foi de 300%. É a régua final de qualquer gasto de marketing e vendas, e serve igual pra anúncio, feira, site novo ou máquina.

E aqui está o motivo deste dicionário existir: o marketing digital fala em siglas, e o dono de indústria que não as domina fica refém do relatório da agência, aplaudindo clique enquanto o que paga boleto é pedido. Em 350+ projetos desde 2012, aprendi que quem entende meia dúzia de siglas faz perguntas melhores e compra mídia melhor. São essas meia dúzia que vêm a seguir, cada uma com a conta e com o que ela esconde.

A tabela de bolso

SiglaO que medeA contaPergunta que responde
ROIRetorno sobre investimento(lucro − investimento) ÷ investimento × 100Valeu a pena?
CACCusto de aquisição de clienteGasto comercial ÷ clientes novosQuanto custa conquistar um cliente?
LTVValor do cliente no tempoTicket médio × compras por ano × anos de relaçãoQuanto um cliente rende?
CPCCusto por cliqueGasto de mídia ÷ cliquesQuanto custa a visita?
CPLCusto por leadGasto de mídia ÷ contatos geradosQuanto custa a cotação chegar?
ROASReceita por real de anúncioReceita dos anúncios ÷ gasto de mídiaA mídia se paga em receita?

Guarde a hierarquia: CPC e CPL são termômetros do meio do caminho; CAC, LTV e ROI são as réguas do fim. Os primeiros explicam os segundos, nunca os substituem.

Ilustração de uma moeda entrando numa máquina e saindo maior do outro lado

CAC e LTV: o par que decide tudo

O CAC soma tudo que a empresa gasta pra conquistar clientes (mídia, feira, comissão, o salário de quem prospecta) e divide pelos clientes novos do período. Sozinho, o número assusta: "3 mil reais pra trazer um cliente?". É aí que entra o par dele, o LTV: quanto esse cliente rende ao longo da relação inteira. E é aqui que a indústria tem uma vantagem que quase nunca contabiliza: o cliente industrial recompra por anos. Um CAC de 3 mil é caríssimo pra quem vende uma vez 5 mil, e uma pechincha pra quem fatura 40 mil por cliente ao longo de cinco anos de recompra.

Essa conta muda decisões na prática. Justifica investir mais agressivamente em aquisição do que o primeiro pedido sugere. E dobra o valor do pós-venda: cada ponto de retenção estica o LTV e barateia, retroativamente, todo CAC já pago. Cliente que compra uma vez e some é CAC desperdiçado; cliente cuidado é CAC diluído. O ticket médio, aliás, é um dos três fatores da conta do LTV, e subir um puxa o outro.

CPC, CPL e a armadilha do relatório bonito

O CPC diz quanto custou o clique; o CPL, quanto custou o contato (a cotação que chegou pelo site). São úteis pra diagnosticar: CPC alto demais indica disputa cara ou anúncio fraco; CPL alto com CPC baixo denuncia que o site recebe visita e não convence, problema de conversão, não de mídia. Mas repare que nenhum dos dois diz se você ganhou dinheiro. E é exatamente neles que os relatórios ruins param.

Uma cena real, anonimizada: uma indústria me mostrou o relatório mensal da agência anterior, orgulhosa dos "12 mil cliques a 80 centavos". Fui atrás do resto da conta com eles: os cliques viravam meia dúzia de cotações, e nenhum pedido rastreado em seis meses. O CPC era ótimo e o investimento inteiro, um ralo. O relatório media a viagem e nunca o destino. Desconfie por padrão de apresentação que celebra clique e impressão: peça o custo por cotação e por pedido, que é onde a conversa fica séria. Como eu monto essa cobrança na prática está em Google Ads para indústria.

Ilustração de um funil com moedas caindo em direção a uma única pessoa

ROAS x ROI: parecidos, e a diferença custa caro

ROAS é a receita dos anúncios dividida pelo gasto de mídia: ROAS 5 significa 5 reais de receita por real de anúncio. Parece irmão do ROI, mas repare nas duas pegadinhas: o ROAS conta receita bruta (não lucro) e só o gasto de mídia (não a agência, a produção, o tempo da equipe). Um ROAS 5 num produto de margem de 15% significa que cada real de mídia gerou 75 centavos de lucro bruto: prejuízo com aparência de sucesso. O ROI, que desconta tudo, é quem dá o veredito. ROAS serve pra otimizar campanha no dia a dia; ROI serve pra decidir se a campanha merece existir.

Medir isso na indústria pequena (sem BI, sem drama)

Nada disso exige painel sofisticado. O que exige: perguntar a origem de todo contato que chega ("como nos encontrou?") e anotar na planilha do funil, do primeiro contato ao pedido fechado. Com esse registro simples, o fim do trimestre entrega CAC por canal, taxa de conversão e ROI honesto de cada frente. Sem ele, toda discussão de marketing vira opinião, e a opinião mais confiante ganha da conta que ninguém fez. A origem anotada é o dado mais barato e mais rentável da empresa.

Regra prática: no próximo relatório de marketing que receber, procure três números: custo por cotação recebida, custo por pedido fechado e o lucro que esses pedidos deixaram. Se o relatório não tiver nenhum dos três, devolva com essa lista. Quem mede o que importa não se esconde atrás de clique.

E se as cotações do site são poucas a ponto de nem dar pra medir, o problema vem antes das siglas: a análise gratuita mostra o que está travando, eu olho o seu site como um comprador olharia e devolvo o diagnóstico em até 2 dias úteis.

Perguntas frequentes

O que é ROI?

ROI é a sigla de Return on Investment, retorno sobre o investimento: quanto voltou pra cada real colocado. A conta: (ganho menos investimento) dividido pelo investimento, vezes 100. Gastou 5 mil numa ação que gerou 20 mil de lucro bruto adicional, o ROI é 300%. Serve pra comparar qualquer investimento: anúncio, feira, site, máquina.

O que é CAC?

CAC é o Custo de Aquisição de Cliente: tudo que a empresa gastou pra conquistar clientes num período (anúncios, feiras, comissões, salários do comercial) dividido pelo número de clientes novos do mesmo período. Gastou 30 mil no trimestre e trouxe 10 clientes novos, o CAC é 3 mil. O número só faz sentido comparado ao quanto um cliente rende (o LTV).

O que é CPC?

CPC é o Custo Por Clique: quanto você paga, em média, cada vez que alguém clica no seu anúncio no Google ou nas redes. É um preço de insumo, não um resultado: CPC baixo com cliques que não viram cotação é dinheiro barato jogado fora. Sempre leia o CPC junto do custo por lead e do custo por pedido fechado.

O que é ROAS e qual a diferença pro ROI?

ROAS é o Return on Ad Spend: a receita gerada pelos anúncios dividida pelo gasto com anúncios. ROAS 5 significa 5 reais de receita por real investido. A diferença: o ROAS olha receita bruta e só o gasto de mídia; o ROI olha lucro e o investimento todo (agência, produção, tempo). Um ROAS bonito pode esconder um ROI ruim quando a margem do produto é fina.

O que é LTV?

LTV é o Lifetime Value, o valor que um cliente rende durante todo o relacionamento com a empresa. No B2B industrial, onde o cliente recompra por anos, o LTV costuma ser muitas vezes o valor do primeiro pedido, e é ele que justifica investir na aquisição: um CAC de 3 mil é caro pra um cliente que compra uma vez 5 mil, e barato pra um que compra 40 mil ao longo de cinco anos.

Qual dessas métricas é a mais importante?

Pra decisão do dono: o CAC comparado ao LTV (quanto custa conquistar contra quanto o cliente rende) e o ROI das ações. As demais (CPC, CPL, taxa de conversão) são termômetros intermediários que explicam POR QUE o CAC está caro ou barato. Agência que só apresenta clique e impressão está mostrando o meio e escondendo o fim.

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